Dom Bosco em África

África-Missão Salesiana

A África é o continente maior e mais populoso. Tem uma extensão de 30.250.499 km², compreendidas as ilhas próximas; recobre 6% da superfície total da Terra e 24% da terra firme. Com cerca de 900 milhões de habitantes, pertencentes a 53 nações independentes e a três territórios dependentes, conta com cerca de 14% da população mundial.

Pe. Egídio Viganò-Projecto África

O P. Egídio Viganò lançou em 1980 o “Projecto África” e houve, desde o início, um forte impulso para a expansão e o crescimento das presenças salesianas na África-Madagascar. O 25° aniversário do início desse projecto foi celebrado em muitas nações do continente; em outras vai sendo celebrado aos poucos, em correspondência ao ano em que os Salesianos iniciaram nelas a sua presença. Foi publicado em diversas línguas, justamente para sublinhar o seu 25° aniversário, um volume comemorativo intitulado Projecto África 25° - 1980-2005. Ele oferece um rico e multíplice conhecimento do Projecto, com o olhar voltado ao passado e ao presente da presença salesiana na África-Madagascar. O meu convite é que todos possam tomar nas mãos esse volume, rico de informações e estímulos. Ou melhor, ele poderia ser uma boa integração de quanto apresento nesta carta de maneira necessariamente concisa.

Sobre eventuais fundações salesianas na África já se começara a falar durante a vida de Dom Bosco. A partir de 1864, em vista de possíveis iniciativas salesianas na África ele tivera contactos com S. Daniel Comboni, um verdadeiro missionário pioneiro da África, e com o arcebispo Carlos Lavigerie, grande apóstolo da Argélia. Dada a impossibilidade de enviar de imediato alguns Salesianos aos lugares sugeridos pelos dois missionários, Dom Bosco aceitou com grande alegria alguns órfãos no Oratório de Valdocco (cf. MB 9, 734-735). Em 1886, durante uma reunião do Capítulo Superior – era assim chamado então o Conselho Geral – Dom Bosco afirmou que a Missão Africana (ou mais precisamente o projeto de abrir uma presença no Cairo) “é um dos meus planos, um dos meus sonhos” (cf. MB 18, 142). E, na verdade, ele tivera um sonho sobre a África em Julho de 1855 (cf. MB 17, 643-645).

O sonho de Dom Bosco sobre a África começou a realizar-se gradualmente durante o reitorado do P. Miguel Rua, no interior de um projecto global para a expansão da Sociedade Salesiana em raio mundial. A primeira presença salesiana na África remonta a 1891, quando um grupo de Salesianos franceses chegou à Argélia para iniciar o Oratório S. Luís em Oran. Em 1894, a Tunísia obteve uma presença salesiana seguida de outras em 1896 no Egipto e na África do Sul. Novas presenças foram abertas em diversas nações entre 1907 e 1975; é preciso admitir, porém, que não havia um projecto bem definido para empenhar-se na imensidão da África.

Graças ao “Projecto África”, a África e Madagascar são hoje uma florescente realidade salesiana. A Região compreende actualmente duas Inspetorias, dez Visitadorias e uma Delegação, reunidas na Conferência das Inspectoras e Visitadorias da África e Madagascar (CIVAM). Segundo as estatísticas publicadas em Janeiro de 2007, os Salesianos professos na Região são 1241, e 89 os noviços, distribuídos por 168 comunidades e outras 11 presenças, algumas das quais cuidam de várias obras. O mais belo dessas estatísticas é o número dos professos de origem africana: 52% do total; e a cada ano, o percentual cresce com as novas profissões de jovens africanos. A face africana da Congregação Salesiana sonhada por Dom Bosco está a cada ano, tornando-se mais do que uma realidade.

Presença Salesiana

Os Salesianos estão presentes e trabalham em 42 países. O Saara, imenso deserto ao norte do continente, é o maior deserto do mundo com cerca de 9 milhões de km2. Mais de dois terços da população africana habita nos países ao sul do Saara. As presenças salesianas constelam toda a região subsaariana, com excepção de Botswana, Gâmbia, Guiné Bissau e Somália.

Das 42 nações nas quais estão presentes, o Egito faz parte da Inspetoria do Oriente Médio e está incluído na Região Itália-Oriente Médio. Cabo Verde está ligado à Inspetoria portuguesa; Marrocos, à França; e Tunísia, à Delegação de Malta que, por sua vez, depende juridicamente da Inspetoria irlandesa. Como tais, essas presenças salesianas fazem parte das três regiões européias. Na Líbia não há atualmente comunidades salesianas, mas um irmão, com mandato especial, presta o seu serviço no Vicariato de Bengasi. Um estudo recente do Conselho Geral sobre a realidade salesiana nesses países acredita ser acertado manter essas afiliações como existem atualmente, esperando por tempos melhores para uma reorganização que favoreça a sua integração na Região África-Madagascar.

Em vista também do passado colonial, as 37 nações incluídas na Região África-Madagascar são subdivididas em três grupos linguísticos: o anglófono com AET, AFE, AFM, AFW, ZMB; o francófono, com AFC, AFO, AGL, ATE, MDG; e o lusófono, com ANG e MOZ.

À excepção da África Central (AFC), Angola (ANG) e Moçambique (MOZ), todas as Inspetorias e Visitadorias englobam mais de uma nação.

A África Ocidental Francófona (AFO) compreende Benin, Burkina Fasso, Guiné, Costa do Marfim, Mali, Senegal e Togo. A casa inspetorial encontra-se em Abidjan, Costa do Marfim.

Vem, depois, a África Tropical Equatorial (ATE) com seis nações: Camarões, República Centro Africana, Chade, Congo Brazzaville, Guiné Equatorial e Gabão. A casa inspetorial está em Yaoundé, Camarões. Enquanto em cinco destes países a língua franca é o francês, na Guiné Equatorial é usado o espanhol.

A África Ocidental Anglófona (AFW) compreende quatro estados: Gana, Libéria, Nigéria e Serra Leoa. A sede inspetorial está em Ashaiman, Gana.

Também a Visitadoria de Zâmbia (ZMB) compreende quatro nações: Malauí, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue, com a casa inspetorial em Lusaka, Zâmbia.

A Inspetoria África Leste (AFE) compreende agora três nações: Quênia, Tanzânia e Sudão. O Sudão, entretanto, é uma Delegação semi-autônoma, com estatutos especiais aprovados pelo Reitor-Mor.

Fazem parte da África Meridional (AFM), além da África do Sul, também Lesoto e Suazilândia. A sede inspetorial é em Johanesburgo.

A África Grandes Lagos (AGL) é uma Visitadoria erigida recentemente que compreende Burundi, Ruanda e Uganda. Esta última nação tem o inglês como língua comum. As comunicações na Visitadoria são, então, bilíngües: francês e inglês. A casa inspetorial está situada em Kimihurura, Ruanda.

A AET compreende a Etiópia e a Eritréia, mas as relações entre os dois países são de tal forma tensas que viajar torna-se extremamente difícil e, por isso, em vista dos encontros em nível inspetorial, é obrigatório buscar uma nação neutra para garantir a participação de todos. Entretanto, mesmo assim nem sempre é possível. A casa inspetorial fica em Adis-Abeba, Etiópia.

A Visitadoria de Madagascar (MDG) inclui principalmente a ilha-nação de Madagascar, onde estão situadas quase todas as casas salesianas, compreendida a sede inspetorial. Apenas uma comunidade está na pequena ilha-nação de Maurício.

Apresentei com algum detalhe a fisionomia internacional das Circunscrições jurídicas da África-Madagascar para ressaltar a situação muito complexa e difícil das presenças salesianas nesta Região. A diversidade das línguas, as longas distâncias, a carência de meios fáceis de comunicação e transporte, acrescentam-se às dificuldades ordinárias de governo e animação de uma Inspetoria. Os Inspetores da maior parte dessas Circunscrições gastam parte do seu precioso tempo na obtenção de documentos para as viagens e para as mesmas viagens nas visitas às comunidades. Também as despesas para a animação e administração das Inspetorias alcançam cifras astronômicas, especialmente devido à necessidade de viajar de uma nação a outra. Deixo à imaginação de todos o esforço exigido por esse trabalho de animação.

As obras salesianas

Com uma visão retrospectiva à experiência na África-Madagascar, desde o seu início, particularmente nestes últimos trinta anos ou quase, podemos afirmar que a África e o carisma salesiano foram feitos verdadeiramente uma para o outro. É um continente transbordante de jovens, muitos dos quais carentes de tudo e, portanto, verdadeiros destinatários da nossa ação apostólica. Os últimos 40 anos viram um aumento veloz da população do continente, com o resultado de o percentual de jovens ser relativamente elevado. As estimativas dizem que em alguns países africanos metade ou mais da população tem menos de 25 anos. Outra pesquisa evidencia que 60% dos africanos são de crianças e jovens.

Em 1988, em referência à nossa entrada na África, o P. Egídio Viganò observava: “Somos os últimos a chegar com o empenho de evangelização do continente africano; temos muitas coisas a aprender de todos, mas possuímos um tesouro que talvez os outros não tenham. Somos, para eles, portadores de um método particular de evangelização dos jovens: a predileção por eles e um estilo que é único”. A atenção pelos jovens e suas necessidades caracterizou por isso a expansão salesiana na África em seu conjunto.

Na realidade, grande parte de nossas atividades na África-Madagascar concentrou-se no serviço educativo dos jovens e no cuidado pastoral das paróquias. Na frente educativa, foi dado um relevo particular às escolas técnicas e centros de formação profissional, embora em anos recentes houvesse muita dificuldade para criar essas escolas. As paróquias são numerosas; algumas delas possuem várias estações externas incorporadas ao centro principal. Um terceiro setor de atividades é o oratório ou centro juvenil, estupenda iniciativa para chegar a inúmeros jovens.

Existem ainda outros campos de atividade em diversas partes da África e de Madagascar, mas, tudo somado, podemos afirmar que a África e Madagascar ainda estão à espera da plena floração do carisma salesiano em suas várias facetas.

Obras salesianas

África é transbordante de jovens, pobres em sua maioria. É realmente um terreno fértil para a realização do nosso carisma.

Vindo às expressões práticas do carisma, cremos que as escolas técnicas e os centros de formação profissional tenham prioridade sobre outras obras. Há uma grande demanda desses centros de formação profissional. A resposta salesiana foi concreta: têm mais de 80 desses centros, espalhados pela África e Madagascar, graças também ao interesse de muitas ONGs salesianas que os sustentam com financiamentos. Muitos são bem organizados e com óptimos equipamentos, mas a sua incessante manutenção e melhoria são uma preocupação constante.

Atenção concrecta

Paróquias, Centro de Orientação Vocacional:Pré-aspirantado, Aspirantado, Noviciado, Pósnoviciado e Teologia, Comunidads cristãs, Centro de Formação Profissional, Oratórios, Centro Juvenil, Escola, Centro de Saúde, Alfabetização, Centro Infantis Comunitários, Centro de Cooperadores, Campos de Missão, Centro de Justiça e Paz, Promoção sobre Direitos Humanos, Comunicação Social.

Mama