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UM BISPO CHAMADO BERGOGLIO, UM PAPA DE NOME FRANCISCO!

Há três semanas da sua eleição ao trono de Pedro, além dos gestos surpreendentes, um outro elemento que chamou e continua a chamar a atenção é o nome que o sumo pontífice adoptou para todo o seu pontificado: FRANCISCO. Quanto ao nome, diversas pessoas, dentre elas padres, bispos, religiosos, teólogos já se manifestaram, e é interessante notar que quase todos chegam a um consenso sobre o assunto, ou seja, o nome Francisco não pode não remeter seja o próprio Papa, como nós próprios, ou seja, a Igreja inteira a pensar primeiro no pobre de Assis e sua missão. Em resumo, esse nome designa uma missão, e não só para Bergoglio, senão para toda a Igreja: "Francisco, repara a minha Igreja", e Ele bem sabia que não podia fazê-lo sozinho. Realmente é um nome que surpreendeu a todos, tanto por ser a primeira vez a ser utilizado por um Papa, como também por motivos ligados aos nomes dos últimos romanos pontífices.

Com o Papa Vincenzo Gioacchino, os LEÕES chegaram a XIII; com Angelo Roncalli, os JOÃOS chegaram a XXIII, com Eugénio Pacceli, os PIOS a XII; com Giovanni Battista Montini, os Paulos a VI; Karol Wojtyla, seguindo a linha de Albino Luciani, que por amor e apreço tanto a JOÃO XXIII, como para com PAULO VI, escolhera o nome de JOÃO PAULO, escolheu para si JOÃO PAULO II; e, por último, Joseph Ratzinger, com o qual os BENTOS chegaram a XVI. Dentro deste cenário, era difícil para qualquer pessoa, imaginar ou poder pensar, sem margem de dúvidas, que o nome do novo pontífice não estaria ligado a um destes nomes que acima referimos. Por isso, não é de se admirar o espanto e a admiração das pessoas ao ouvirem o bispo BERGOGLIO a ser apresentado como FRANCISCO I. Eu, pessoalmente, fiquei muito sem palavras. Desde esse pano de fundo, talvez poderíamos perguntar ao Papa Bergoglio, porquê Francisco e não outro nome?

Mas não aconselho tal pergunta, que esconde, certamente, uma outra pergunta-resposta do qual não conseguiríamos nos livrar; e ela seria sem dúvida: “e porquê não Francisco?”. E o que responderíamos? Não aconselho fazer tal pergunta, pois não temos direito a fazê-la, bem como não conseguiríamos responder a contra-pergunta, uma vez que não teríamos base convincente alguma. Portanto, deixemos assim, dêmos uma chance a Francisco, para que cresça, trabalhe e brilhe humildemente, sendo pequenamente grande, tal como o santo de Assis.

Quanto ao povorello, o que chamou tanto a atenção a Bergoglio, para que escolhesse Francisco por nome? Simplismente a sua Pobreza e pura simplicidade? O seu amor verdadeiro e dedicado aos mais pequenos e pobres? Penso que sim, embora pense igualmente não serem os únicos motivos. Penso que, ao acolher esse nome, Bergoglio não pensou nada menos que na própria Igreja, que, embora nem todos reconheçam, merece igualmente ser reformada.

O Chico de Assis era filho da Igreja, sentia-se e vivia como tal. Por isso, embora a criticasse, jamais a fez fora dela e sem o uso da caridade cristã. Portanto, irmão dos pobres e filho da Igreja. Do mesmo modo, emerge Francisco I, como servo dos servos, irmão dos pequenos, filho e dirigente da Igreja, mas não apenas a Igreja-templo, as nossas paróquias, dioceses e arquidioceses, mas aquela Igreja de todos, com todos, para todos e em Cristo; aquela Igreja que se encontra lá onde exista filhos e irmãos necessitados, seja centro ou periferia. É a essa Igreja que o novo Bispo de Roma vem se referindo desde as reuniões no pré-conclave, e concretamente com a sua vida de pastor, nos anos de Buenos Aires: aquela Igreja que tem de ir ao encontro das pessoas e não esperar e fechar-se em si mesma, sob o risco de tornar-se auto-referencial e adoecer; aliás, para que necessitaríamos de uma Igreja auto-referencial e doente? Uma palavrinha quanto aos gestos surpreendentes que o Papa Francisco vem demonstrando desde a sua eleição.

Penso que, se o conhecêssemos, desde Buenos Aires, dificilmente ficaríamos boquiabertos, pois na minha opinião não está a fazer coisas extraodinárias, mas apenas a tornar ordinárias todas aquelas coisas e realidades que alguns dos últimos pontífices dificilmente conseguiram confrontar. Portanto, sei que Berrgoglio não se sente diferente e melhor que os pontíces anteriores só porque no passado andava de Ónibus, vivia num apartamento simples, fazia sua comida e outras simplicidades mais, que, dificilmente outro cardeal-arcebispo de alguma parte do mundo tenha feito. De igual forma, penso que Ele não se sente melhor que os outros, só por ter rejeitado os demais paramentos que fazem parte das vestes papais, em particular a cruz peitoral de ouro e o anel igualmente dourado; por regressar e pagar a conta na estalagem onde se hospedara, por querer ir no mesmo transporte que seus irmãos cardeais. Não há nada de estraodinário nisso, pois é conforme o Evangelho, como Cristo quer, como o pobre de Assis sempre testemunhou; e o Papa Bergoglio sabe bem disto, por isso o faz, e o faz com toda a naturalidade, com discrição, sem grandes sacrifícios, pois com amor.

Passada quase a lua de mel do Papa Francisco, como dizia um teólogo, referindo-se à calorosa aprovação e admiração que se verifica em torno do novo pontífice, seja por parte dos católicos e membros de outras confissões, bem como em ateus e por parte da Mídia, o que fará o Papa Bergoglio? Quais os assuntos que merecem mais a sua atenção? Segundo as necessidades eclesiais mais salientes, o que deveria fazer o Papa vindo dos confins do mundo? Penso que muita coisa, mas o essencial mesmo é fazer o que Ele já começou: convidar a Igreja a se adaptar, a se deslocar, a sair de si, a fim de evitar o risco de tornar-se fechada, exclusiva, uma Igreja-hierarquia, de elite, portanto de poucos e centrada no Vaticano. Era contra esse modelo de Igreja que o Concílio Ecumênico do Vaticano II se opunha. Por isso, a grande tarefa do Papa é também e sobretudo, reacender, reavivar juntamente com toda a Igreja aquela chama que começou a brilhar nas quatro sessões do grande Concílio (1962-1965). Não tenho dúvidas que, se o Papa continuar nessa linha, todos os outros problemas de que se espera uma resposta imediata da parte do novo pontífice ( o papel da mulher na Igreja, a relação com outras religiões, o diálogo com o mundo contemporâneo, os principais assuntos sobre a moral sexual cristã, as questões sobre a reforma da Cúria, o celibato sacerdotal, por muitos colocado em questão; o papel dos divorciados na Igreja, em segunda união; a questão da transparência do IOR -Instituto para as obras de religião-, comummente conhecido como o Banco do Vaticano, bem como outros assuntos,) terão novos horizontes, perspetivas e possíveis soluções.

A título de conclusão gostaria ressaltar uma grande virtude do Papa Francisco, que se verifica serenamente em Francisco de Assis: a sua capacidade de sorrir, de experimentar a alegria, pois é a partir dela que se pode eficazmente fazer o que nos convém: missionar, evangelizar, sair de nós para falar de Cristo às pessoas, e demonstrá-las que vale apena crer Nele e fazer parte do seu projecto de amor. Quem é alegre não tem tempo para criticar doentiamente o seu próximo, para excluí-lo, para viver na luxúria, enquanto outros necessitam do mínimo que não lhes é permitido; quem sabe sorrir e vive na alegria milita por uma Igreja de todos, mais humana, mais fraterna, mais pobre, mais inclusiva, enfim, uma Igreja dos pobres para os pobres, sem os quais ela tornar-se-ia fútil, portanto, sem interesse algum. Certamente não é esse tipo de Igreja que queremos! Rezemos todos pela nova missão que Deus designa àquele bispo que vem de longe e que se senta não mais no trono de Pedro, mas que dele sai a fim de abraçar, conversar, sorrir, entreter-se, viver e conviver com seus irmãos mais pequeninos; ou seja, rezemos pelo bispo chamado Bergoglio, cujo nome é Francisco.

Internauta: Adriano Sumbavela Calimi

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