Kamba Dyami nas escolas com as novas tecnologías

Os primeiros passos

Neste 2015 Angola esta a viver o seu 13º ano de paz após a guerra civil. Educativamente, verificou-se que durante o período de guerra o sistema educativo angolano apresentava profundas falhas nos seus princípios fundamentais, daí que implementou-se a reforma educativa que visa assegurar a igualdade de oportunidade de acesso à escola, a educação contínua, a criação de forças de trabalho qualificadas bem como a quantidade e qualidade de infra-estruturas e professores necessários. Neste contexto de reorganização educativa é que o Projecto Kamba Dyami acolheu a iniciativa de Nicholas Negroponte, One-Laptop-Per-Child Project, que estava a se desenvolver em muitos países do mundo. Este projecto teria de ser inovador para as escolas angolanas já que dar-se-ia a oportunidade a muitos alunos de se aproximarem às novas tecnologias educacionais, promovendo uma maior proximidade com o mundo educativo actual. Ainda mais, o projecto aplicou-se na periferia da cidade capital onde os alunos de contexto desfavorecido tenham acesso à um ensino de qualidade através dos pequenos computadores XO.

A fundação AIF[1] foi detentora da iniciativa do Projecto-piloto em duas escolas da Instituição Salesiana de Dom Bosco[2], na cidade de Luanda. O projecto foi implementado no ano lectivo 2010/2011, com a parceria das duas entidades.

Dom Bosco foi escolhido pela AIF, devido à sua adequação aos critérios que permitiriam o desenvolvimento do projecto. Escola aceitou a proposta e o desafio, uma vez que seria de grande apoio na melhoria da qualidade educativa dos alunos. No decorrer do ano 2012, o Projecto foi assumido na íntegra pela Escola Dom Bosco, passando a AIF a desempenhar o papel de financiadora, sem deixar de acompanhar de perto todos os avanços do mesmo.

Surgimento do nome do Projecto

A quando da apresentação oficial do Projecto 2011, foi atribuído o nome pelo qual se denominaram aos XO. Os mesmos alunos disseram que para eles, o pequeno computador ia ser como um novo amigo, e os professores sugeriram que a melhor forma de nomear o computador, seria numa das línguas nacionais. Angola tem muitas linguais nacionais das quais destacam-se o Kimbundu, Umbundo, Kikongo, côkwe entre outras. Foi desse modo que o computador XO foi reconhecido como “Kamba Dyami”, (do Kimbundo traduzido ao inglês quer dizer “My Friend”). Foi assim que o Projecto atingiu igualmente o mesmo nome.

Caminho percorrido

O Projecto foi apresentado aos professores e aos alunos. Ainda que seja uma ferramenta nova e inovadora, também tem vindo a ser desafiante, pois esta tem sido uma ferramenta pouco utilizada por eles.

Considerando as dificuldades apresentadas durante o período experimental por parte dos alunos e professores, realizaram-se seminários que ajudaram a consolidar a formação e conhecimento da utilização dos computadores pelos professores.

Atendendo à melhor forma de implementar o Projecto dentro da sala de aula, foi decidido começar a utilizar os computadores nas disciplinas de língua portuguesa e matemática. Com efeito, as actividades contidas no XO, aparentemente seriam as que melhor se adequariam às disciplinas mencionadas.

Considerando o processo decorrido, surgiu a partir da equipa técnica e pedagógica, a necessidade de realizar uma série de manuais que contemplem o uso geral do computador e a explicação das actividades do mesmo. Deste modo, os professores conseguiram usufruir dos materiais didácticos para aprender e leccionar as suas aulas. Actualmente o Projecto continua implementando-se nas escolas Dom Bosco desde terceira até sexta classe, ampliando-se a utilização dos XO a todas as disciplinas escolares.

Novas fronteiras

No ano 2013-2014 o Projecto Kamba Dyami iniciou a sua expansão a mais uma província de Angola. Agora o papel de financiador desta inovação tecnológicas na salas de aulas é FSDEA (Fundo Soberano de Angola). Em diálogo entre AIF, Kamba Dyami e FSDEA abriram-se novas fronteiras. Este novo parceiro tem como vissão “promover o desenvolvimento social e económico de Angola gerando riquezas para o povo angolano”[3], tal financiamento vem justificar a carteira social do mesmo. Juntos estamos a caminhar para aprofundar a qualidade educativa das crianças do país, portanto, apresentar-se-á este projecto em escolas do interior do país abrangendo num futuro todas as escolas educativas angolanas. No 2014 iniciamos em Benguela e em 2015 na cidade de Calulo. Acreditamos que este projecto, cada vez mais, esta a oferecer a possibilidade de contacto com as novas tecnologias da informação (TIC’s) a muitas mais crianças do país e oferecei-lhes a possibilidades da aprendizagem de uma nova forma de ensino ao mesmo tempo que aproxima-los ao mundo das TIC’s que estão a reger o nosso tempo contemporâneo.




[1] African Innovation Foundation: http://www.africaninnovation.org

[2] Salesianos de Dom Bosco: http://www.sdb.org

[3] Fondo Soberano De Angola: http://www.fundosoberano.ao/language/en/

 

Aprendizagem e Tecnologia